Chumbinho Becker é homenageado na abertura do MX1GP Brasil Sportbay
Os pilotos da MX1 alinharam no gate e as placas subiram, mas o gate não caiu. O ronco dos motores foi substituído por um silêncio de milhares de pessoas que, entre lágrimas e arrepios, aplaudiram a volta de um piloto na motocicleta número 2, utilizando um uniforme com o nome “Chumbinho”. Foi uma simbólica despedida do maior campeão brasileiro de todos os tempos, na atmosfera de Canelinha, onde conquistou inúmeras vitórias e fez a alegria de seus fãs, especialmente os conterrâneos catarinenses.
Passados 71 dias de seu falecimento, Milton Becker foi homenageado durante a programação de abertura do MX1GP Brasil. O ato aconteceu no domingo, dia 12, no intervalo entre as baterias da MX2 e da MX1. Rafael Becker, primo de Milton, foi o designado para pilotar a moto de número 2, enquanto familiares e amigos subiram ao pódio vestindo uma camiseta branca com a imagem do primeiro título do catarinense de Itapiranga.
Durante a homenagem promovida pela Promox, o irmão de Chumbinho, Elton Becker, agradeceu o carinho de todos. “Quero agradecer a cada pessoa que está aqui hoje participando deste evento que traz à memória o meu irmão. O Milton sempre me dizia para eu lutar até ficar bom, e eu sigo lutando. É muito especial receber todo esse carinho de vocês, muito obrigado”, disse o ex-piloto, que atualmente passa por um momento delicado de saúde.
Carreira
Natural de Itapiranga/SC, Milton “Chumbinho” Becker se tornou uma lenda do motociclismo brasileiro. Sua carreira no motocross ganhou destaque nacional na última década do século passado, quando conquistou seu primeiro título brasileiro em 1992, na categoria 250cc. Ele voltou a conquistar a classe principal em 2000 e 2001, além de ter dominado o supercross na década de 1990. Posteriormente, foi extremamente vitorioso nas classes veteranas.
Ao todo, foram 27 títulos nacionais. No motocross, foram 21: três na 250cc (atual MX1), dois na 125cc (atual MX2), um na Open (atual MX3), seis na MX3, sete na MX4 e dois na MX5. Ainda, foi nove vezes campeão catarinense, bicampeão paranaense e bicampeão mato-grossense. Sua última temporada como piloto foi em 2018.
Em 2024, retornou ao Brasileiro de Motocross como chefe de equipe da Yamaha Monster Energy Geração, quando foi campeão da MX1 com Fábio Santos.
Falecimento
Milton Becker faleceu em 31 de janeiro de 2026, aos 58 anos. Ele foi identificado como vítima fatal de um acidente de trânsito registrado na SC-305, em Campo Erê/SC. Ele era o único ocupante da motocicleta, que saiu da pista e caiu em uma ribanceira às margens da rodovia. As causas do acidente não foram esclarecidas.
Sua partida causou comoção em toda a comunidade do Oeste Catarinense e no motociclismo brasileiro. A abertura do MX1GP Brasil Sportbay 2026 foi o primeiro evento nacional de motocross após seu falecimento.
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